Rota 343 Entrevista: João Lucas, pré-candidato ao cargo de vereador de Floriano

Hoje, nosso portal traz mais uma de uma série de entrevistas com pré-candidatos da eleição 2020.

Neste domingo (24), o Rota 343 traz a quarta entrevista do ‘Especial Eleições 2020’. Nos próximos finais de semana, traremos entrevistas com os pré-candidatos ao cargo de Prefeito e de Vereadores do município de Floriano (PI). Os participantes responderão as mesmas perguntas, com a finalidade de não haver favorecimento para nenhum dos pré-candidatos por parte de nosso portal.

O entrevistado desta semana é João Lucas de Sousa, de 27 anos. Natural de Floriano (PI), ele é acadêmico do curso de História e é conhecido por participar de movimentos sociais, tanto de cunho estudantil, negro como ambiental.

Confira abaixo a entrevista com João Lucas, que será candidato ao cargo de vereador, pelo PCdoB:

Rota 343 - Por que você decidiu se candidatar ao cargo de vereador?

“Apesar de eu ser politicamente ativo em movimentos sociais, de início eu não tinha essa ideia de me candidatar a vereador. Mas, devido à necessidade dos movimentos sociais a quais eu faço parte não ter um representante que lhe desse voz e pensasse em políticas públicas voltadas para esses grupos, surgiu o meu nome dentro desses grupos, para que eu fosse pré-candidato a vereador, para que eu concorresse ao poder legislativo municipal. Surgiu disso, das minhas atuações nos movimentos sociais e a decisão dos meus camaradas para eu colocar meu nome como jovem e ativista para concorrer ao cargo.”

Rota 343 - Que tipo de mudanças você acha mais urgente que ocorram em Floriano atualmente?

“A pandemia nos trouxe um grande aprendizado, e eu espero que Floriano esteja atento a isso. Daqui pra frente, nós vamos ter que cuidar da nossa natureza, coisa que antes a gente não cuidava. Essa pandemia ela veio em consequência das atividades humanas à natureza, e a natureza dá resposta, não somente com a pandemia, mas com enchentes e afins. Então, a gente vai ter que pensar na urbanização da cidade, de que forma está sendo feita essa urbanização, os cuidados com os nossos riachos, que ficam na cidade e estão provocando alagamentos. A gente tem que pensar também em espaços urbanos arborizados para que sejam desenvolvidas atividades como caminhadas, que as pessoas possam correr no ar puro, respirar ar limpo. Tudo isso precisa ser pensado daqui pra frente, esse cuidado com o meio ambiente, esse cuidado de como a gente descarta nossos dejetos, isso tudo é um problema que antes não era pensado, mas que a partir de agora precisamos pensar e muito.”

Rota 343 - Como você enxerga a situação do fomento do esporte na nossa cidade, considerando que há o Corisabbá na cidade, mas está apenas na Série B do Estadual?

“Quase não existe. Tenho dois amigos, que são lutadores, um faz jiu jitsu e outro muay thai, e eles tinham que pedir dinheiro para participar de campeonatos internacionais. Olha só, a gente tem dois atletas reconhecidos internacionalmente, e eles estão em uma situação de pedintes. Isso é uma situação muito surreal. Existe a questão das academias particulares, que tem os atletas, mas ai tem que pagar. Infelizmente, isso acaba excluindo uma grande parte da juventude. Muitos jovens não tem como tirar o dinheiro para ir para uma academia para treinar, para ser um atleta como esses meninos, e quando estão lá também tem a dificuldade do incentivo. Eu acredito que precisa ser criado espaços para que esses atletas possam treinar, possam se desenvolver. Na Irlanda eles fizeram isso. A Irlanda é um país onde foi fomentado essa questão do esporte para que os jovens parassem de beber e fumar.

Na questão do Corisabbá, eu não sei como funciona a questão das diretrizes e da política do Corisabbá, mas eu acredito que tem que fazer uma iniciativa sim. Pode-se fazer uma iniciativa público-privada e fazer escolinhas, para treinar os nossos jovens florianenses para que eles se desenvolvam nessa questão do treinamento e possam levar nosso time para a Série A.”

Rota 343 - Que tipo de medidas poderiam ser tomadas para a geração de emprego no município?

“Através de políticas públicas de estruturação e de apoio a microempresas, estruturação dos MEIs, que são os microempreendedores individuais. Isso do ponto de vista empresarial. Do ponto de vista do cidadão, a gente precisa fomentar a educação nos bairros mais pobres e na zona rural do município, levando educação, cultura, fazendo com que eles tenham acesso à tecnologia, para que se torne algo mais competitivo. Por nós sermos uma cidade universitária, onde temos polo educacional, podemos buscar parcerias com as universidades, para que elas façam projetos para ir até essas pessoas. Através disso, a gente estará atendendo tanto os microempresários, que segundo um estudo são os que mais empregam no Brasil, e teremos uma mão de obra qualificada, que são os jovens que estarão aptos e preparados para entrar no mercado de trabalho, através dessas ações que o município, em conjunto com as universidades e quem sabe a iniciativa privada podem fazer. Também tem a questão da ampliação do Pronatec, do Jovem Aprendiz, que são políticas públicas governamentais que fomentam essa questão do primeiro emprego.”

Rota 343 - Você sabe quais são os postos de saúde em funcionamento em Floriano? E na questão de exames básicos, você acha que está satisfatório, atendendo as necessidades da população, ou considera que precisa de grande melhoria?

“A gente tem 24 pontos, 17 na cidade e sete nas comunidades rurais. Todos encontram-se funcionando, segundo o que eu soube por pessoas que trabalham na saúde. Infelizmente não estou conseguindo acompanhar pessoalmente, pois estou na quarentena, mas acredito que eles estejam funcionando. Muita coisa precisa ser melhorado. Essa pandemia veio para nos mostrar como nossos sistema de saúde é precário. Mas, Floriano, com essa questão da saúde básica, está conseguindo fazer bons trabalhos e adquirir bons resultados na questão da luta contra o coronavírus, e isso é muito imporante. Essa questão das melhorias na Saúde, precisa melhorar e muito, não somente aqui, mas em todo o Brasil.”

Rota 343 - De que forma poderia acontecer o aproveitamento das águas do rio Parnaíba, considerando que temos 9 meses sem chuva?

Bom, vai ser um pouco da resposta da segunda pergunta. A gente precisa cuidar dessa questão do saneamento básico, pois todo o esgoto vai para os riachos urbanos, e desses riachos vai para o rio, e acaba poluindo o rio. Se a água não passar por um tratamento, ela fica imprópria para beber. Outra coisa que a gente precisa cuidar é a mata ripária, da mata ciliar, que é uma floresta que fica ao lado dos rios e precisa ser cuidada, pois quando há o desmatamento, a terra acaba descendo para dentro do rio e ai o rio acaba morrendo. A gente precisa cuidar disso, é muito importante essa questão dos cuidados com nosso rio, porque segundo estudos, ele está cada dia morrendo e a água é de fundamental importância para a sobrevivência da humanidade.”

Foto: Arquivo PessoalJoão Lucas de Sousa, de 27 anos, concorrerá ao cargo de vereador.
João Lucas de Sousa, de 27 anos, concorrerá ao cargo de vereador.

Rota 343 - O que poderia ser feito para contribuir de forma permanente e constante para o desenvolvimento das atividades rurais existentes em Floriano?

“Eu acredito que apoiar os projetos já existentes e também criar outros projetos que beneficiem o homem e a mulher do campo, como um projeto agrícola municipal.”

Rota 343 - Que ações poderiam ser realizadas para melhorar os índices de educação das nossas escolas?

“A primeira é a valorização dos professores. Eu acho fundamental valorizar os professores. A gente vê em muitos países e até em municípios vizinhos que a valorização dos professores deu muito certo para as melhorias do índice educacional, isso é um fato e não tem como ser tirado. Mas, também melhorar a estruturação das escolas. Não tem como um professor dar aulas numa escola que é totalmente sucateada, que tem goteiras, que não fornece uma estrutura pra ele trabalhar, então precisamos melhorar a questão da estrutura. Também buscar parcerias com as universidades. É importantíssimo essa questão das parcerias, pois nada se constrói sozinho, tudo se constrói com parcerias, e as universidades tem muitos estudantes que precisam de cargas horárias, e estão aptos para trabalhar. Então, fazendo essa questão das parcerias, os estudantes das escolas públicas municipais tem muito a ganhar.”

Rota 343 - Como incentivar os alunos a gostarem de estudar, visto que hoje temos muitos atrativos eletrônicos, que muitas vezes afastam as crianças de livros, etc?

“Eu vou voltar um pouco na resposta anterior, porque eu falei sobre formação e estruturação. A formação sobre essas questões do meio eletrônico, essa questão da tecnologia ela é inerente, hoje em dia a gente respira tecnologia, e essa nova geração já nasce com o celular na mão. Então, a gente não pode excluir isso da formação desses alunos. Mas, como tem muitos professores que são de outra geração, eles precisam de uma formação para aprender a manusear essas tecnologias e criar didáticas para que possam ajudar os alunos a trabalharem com essa ferramenta.

Também é preciso de estrutura, pois o que a gente mais vê é isso, um grande problema de muitas escolas é que não tem estrutura, não tem wifi, não tem Datashow, não tem um aparato tecnológico que possa atrair os alunos para essa didática dos professores. Eu acho essencial essa questão da tecnologia nas escolas. Aqui a gente tem duas escolas particulares que trabalham com essa questão de robótica, então a gente vê que os alunos que podem pagar vão sair muito à frente dos que não podem. Ai a gente já tem a questão da desigualdade social, então a gente tem que buscar formas de fazer com que os alunos da rede municipal sejam competitivos e possam competir com alunos das escolas particulares. Se a gente excluir eles, tirar essa questão tecnológica e continuar ainda no giz, no quadro negro, os nossos alunos vão acabar ficando pra trás nessa corrida que é tão desigual.”

Rota 343 - Você acha que o Mercado Central poderia atender a população de forma mais satisfatória?

“Sim, eu acho que poderia sim. Acho que o Mercado Central precisa de uma reforma urgente, precisa ter condições mais salubres, pois as condições lá são insalubres, e eu acho que com essa pandemia, será um divisor de águas para essas questões sanitárias, para se pensar na salubridade.”

Rota 343 - Você está por dentro da prestação de contas do município? Sabe no que o dinheiro da cidade está sendo investido?

“Hoje, com o Portal da Transparência, ficou muito mais fácil a gente saber pra onde está indo o dinheiro público, como ele está sendo gasto. Eu estou sempre atento a essa questão do Portal da Transparência.”

Rota 343 - O que você considera necessário para que um político faça um bom trabalho em seu cargo de prefeito/vereador?

“Eu acho que conhecer as necessidades da população é de fundamental importância, e saber ouvir. Para atender os anseios da comunidade, da população, é preciso ouvir as pessoas. Precisa também conseguir dialogar com quem discorda de você para que se consiga chegar a alguma coisa que possa beneficiar a população. E também buscar parcerias. Eu acho fundamental essa questão das parcerias, dessa ação comunitária, porque eu acredito que sozinho as pessoas não vão para lugar nenhum. A coletividade consegue alcançar grandes êxitos.”

O Rota 343 aproveitou a entrevista para falar sobre um assunto que, de certa forma, está se tornando polêmico: o novo coronavírus. A pandemia, que afeta Floriano e o restante do mundo, tem causado muitas opiniões divergentes, pois com ela, além da doença, outros problemas vieram à tona, como problemas econômicos. Confira as respostas do pré-candidato João Lucas:

Rota 343 - Sobre o novo coronavírus, você qual sua opinião sobre o fechamento do comércio?

“Eu sou a favor do isolamento, tendo em vista que se a gente não achatar a curva, muitas pessoas vão morrer, como já estão morrendo em muitos estados devido ao fato de não ter leitos de UTI. A gente viu os exemplos de outros países, o que aconteceu, e eu tenho muito medo de os idosos que eu conheço não terem leitos de UTI. Eu sou a favor. Pensando também de uma forma prática, os comerciantes precisam se reinventar, as tecnologias estão ai, então eles podem buscar outros meios de venderem e se reinventarem.”

Rota 343 - Qual sua opinião sobre o isolamento social?

“É necessário, porque é a única ‘cura’ que a gente tem até agora, não tem outra. Até se achar uma cura, a gente precisa ficar dentro das nossas casas. Porém, com essa questão do isolamento também estão surgindo muitos problemas, como as agressões às mulheres, às crianças, então a gente se preocupa muito com isso. Mas, é uma coisa que é essencial para salvar vidas, e ai eu digo que a gente tem que pensar em mecanismos para proteger essas mulheres, essas crianças, e também essa questão do empobrecimento, pois a economia também está sendo afetada com essa questão do isolamento social, mas, cabe ao presidente, aos governantes, conduzirem da melhor forma como vamos sair dessa. Quero ressaltar que o isolamento social ele é fundamental para que vidas sejam salvas.”

Rota 343 - Que tipo de medidas você tomaria para ajudar no combate a pandemia?

“Com essa pandemia, foi um grande susto para a questão das políticas, pois tinha uma grande quantidade de brasileiros que estavam invisíveis. Muitos não estavam no Cadastro Único e outros não estavam no MEI. No MEI tinham 50 milhões de invisíveis e ainda tem muita gente invisível, aliás, não tem mais porque fizeram o cadastro, mas não conseguiram receber o benefício porque não estavam cadastrados em nada. Então, eu acho que precisa organizar isso. Eu acho que uma organização das secretarias municipais, em conjunto com as lideranças dos bairros, como presidente de bairro, poderia se organizar um cadastro, fazer todo esse procedimento para que essas pessoas consigam receber o auxílio, pois muitas pessoas ainda não receberam esse auxílio emergencial.”

Rota 343 - Você sabe o montante a mais que Floriano recebeu para combater o coronavírus? Você percebeu o investimento desse valor?

“Recebemos até agora aproximadamente R$ 1,7 milhões. R$ 1.065 milhões foi destinado para ampliar mais 50 leitos no Hospital Regional Tibério Nunes, mesmo não sendo obrigação do município. Também foi para manter uma Unidade de Referência com seis médicos, quatro enfermeiros, três técnicos, além de ofertar exames laboratoriais, eletrocardiograma, tomografias e medicamentos para tratamento precoce da Covid-19.”

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