Rota 343 Entrevista: Bilu, pré-candidato ao cargo de prefeito de Floriano

Hoje, nosso portal traz a segunda de uma série de entrevistas com pré-candidatos da eleição 2020.

Neste domingo (10), o Rota 343 traz a segunda entrevista do ‘Especial Eleições 2020’. Nos próximos finais de semana, traremos entrevistas com os pré-candidatos ao cargo de Prefeito e de Vereadores do município de Floriano (PI). Os participantes responderão as mesmas perguntas, com a finalidade de não haver favorecimento para nenhum dos pré-candidatos por parte de nosso portal.

O pré-candidato entrevistado desta vez é Claudemir Rezende Barros, de 44 anos, mais conhecido como Bilu. Natural de Floriano (PI), ele é formado em Direito, atualmente ocupa um dos cargos de vereadores da cidade, mas exerce a atividade de açougueiro como profissão principal.

Confira abaixo a entrevista com Bilu, que será candidato ao cargo de prefeito, pelo MDB:

Rota 343 - Por que você decidiu se candidatar ao cargo de vereador?

“Há um chamamento nas ruas de Floriano, principalmente entre os trabalhadores mais pobres da cidade, aqueles que fazem a economia do município prosperarem, que são os comerciários, as pessoas da zona rural que trabalham na agricultura familiar. Essas pessoas vem se sentindo prejudicados há muitos anos, com gestões fracassadas, que só olham para a elite florianense.”

Rota 343 - Que tipo de mudanças você acha mais urgente que ocorram em Floriano atualmente?

“Na saúde e na educação. Na área da educação Floriano sofreu muito ultimamente, faltou transporte escolar na zona rural, os alunos passaram meses prejudicados, sem merenda, o fardamento escolar para as crianças que não conseguem comprar, a gestão pública não forneceu, então a educação está um caos, e na área da saúde, pior ainda.

Na saúde, o povo de Floriano sente muito, principalmente os mais pobres. Nós não temos uma clínica específica para fazer exames para aquelas pessoas carentes, que precisam fazer uma ultrassom, uma ressonância magnética, uma endoscopia, tomografia. Esses exames mais completos nós não temos em Floriano. Então, quem ganha um salário mínimo, não consegue pagar um exame desse. O que eu vejo em nossa cidade é que falta estruturar a saúde de uma maneira geral.”

Rota 343 - Como você enxerga a situação do fomento do esporte na nossa cidade, considerando que há o Corisabbá na cidade, mas está apenas na Série B do Estadual?

“O esporte profissional é algo a ser pensado pela sociedade florianense, principalmente pela iniciativa privada. Ter uma ajuda do poder público, tudo bem, mas eu acho que precisa ser priorizado o esporte amador. O que eu fiz nesses três anos de vereador, foi pegar 80% do meu salário e empregar no esporte amador da zona rural, nos bairros, na periferia, pois essa área do esporte é morta em nossa cidade. Temos uma Secretaria de Esporte, Cultura e Lazer que só tem nome, mas não funciona. Então o que eu fiz foi isso, pegar o salário e empregar em prol do povo, trazer a diversão para os jovens de nossa cidade, impedindo que eles não entrem para o mundo da marginalidade.”

Rota 343 - Que tipo de medidas poderiam ser tomadas para a geração de emprego no município?

“A primeira coisa que se tem que pensar em uma cidade polo como é Floriano, é pegar os impostos municipais e fazer um projeto para extingui-los, como o IPTU, o ISS, para que as empresas de fora tenham interesse de se instalar em nossa cidade para gerar a mão de obra e gerar empregos para o povo de Floriano. É preciso dar os meios, ou seja, dar terreno para essas empresas. O município precisa fazer esse tipo de ação para essas empresas virem do Sul do país, do Norte, para se instalarem em nossa cidade e gerar os empregos que é preciso.”

Rota 343 - Você sabe quais são os postos de saúde em funcionamento em Floriano? E na questão de exames básicos, você acha que está satisfatório, atendendo as necessidades da população, ou considera que precisa de grande melhoria?

“Nós passamos dois anos e meio que até exame de diabete era difícil de fazer em Floriano. Mas, quando chegou o ano eleitoral, essa gestão incorporou esses exames pequenos, de baixa complexidade, para dizer que fazem algo pela população. Mas, os exames de grande complexidade, isso não é feito, somente na iniciativa privada. Os postos de saúde funcionam, realmente, mas são limitados, que você vai lá e marca seu exame, as vezes aparece um médico, mas sem as especialidades. Faltam essas especialidades.”

Rota 343 - De que forma poderia acontecer o aproveitamento das águas do rio Parnaíba, considerando que temos 9 meses sem chuva?

“Você já imaginou uma cidade dessa, às margens do Rio Parnaíba, e a gente precisa comprar as frutas e verduras da Bahia, de Pernambuco, e não produzimos nada?! As terras estão todas nas mãos dos latifundiários. Eu faria um projeto para incentivar o agricultor pequeno, que tem renda familiar, dar um pedaço de terra, pelo menos por um período de 10 anos, para ele produzir nessas terras, com toda a estrutura, com todo o aparato técnico de profissionais, para incentivar a plantar uva, cebola, tomate, alho, além de frutas e verduras que a gente não produz em Floriano.”

Rota 343 - O que poderia ser feito para contribuir de forma permanente e constante para o desenvolvimento das atividades rurais existentes em Floriano?

“Para os agricultores que não vivem às margens do rio Parnaíba, uma saída seria instalar poços artesianos, com caixas d’água, encanamento, para que eles pudessem estar inclusos nesse projeto de produção de frutas, verduras e hortaliças em nossa cidade. Também a aração de terra é importante, pois hoje a Prefeitura não disponibiliza de tratores para arar a terra desses agricultores. Eu vim da zona rural e sei o sofrimento desse povo, então é preciso dar mecanismos para desenvolver a agricultura familiar.”

Rota 343 - Que ações poderiam ser realizadas para melhorar os índices de educação das nossas escolas?

“Um projeto seria fazer a escola integral, pois isso ajudaria no desenvolvimento da sociedade. O aluno vai pela manhã para a escola, almoça, faz suas tarefas de casa, pratica esportes, janta e só chega em casa à noite. Por exemplo, os jovens que casam e tem um filho ou dois, a mãe fica impossibilitada de ir trabalhar, de se empregar em uma empresa, porque precisa cuidar da família e ai a renda fica só na mão do pai. Tendo a escola integral, essa mãe vai poder arrumar um emprego e chegar em casa no início da noite, junto com seu filho, que já vem do colégio. Isso seria um avanço muito grande na parte financeira e econômica das pessoas de Floriano.”

Rota 343 - Como incentivar os alunos a gostarem de estudar, visto que hoje temos muitos atrativos eletrônicos, que muitas vezes afastam as crianças de livros, etc.?

“Colocando a escola integral, acesso à internet, fazendo com que cada aluno tenha um computador para que possa, além de fazer as tarefas, se conectarem nas redes sociais para verem o que acontece no mundo afora, e ganhar êxito e autoestima para participar da escola e ser um aluno que não falte.”

Foto: Portal OxenVereador Bilu será candidato ao cargo de prefeito de Floriano.
Vereador Bilu será candidato ao cargo de prefeito de Floriano.

Rota 343 - Você acha que o Mercado Central poderia atender a população de forma mais satisfatória?

“Poderia, pois o Mercado Central hoje, sobrevivem diretamente de lá 2 a 3 mil pessoas. As pessoas que vem da zona rural com suas hortaliças para vender, os banqueiros que são permanentes, precisam ter uma melhoria total no Mercado Central. É preciso uma reforma, com implementação de fazer mais dois andares, para pegar aqueles camelôs que ficam no Centro da cidade e o prefeito colocou em um espaço que ninguém frequenta, e coloca-los ali também, fazendo um grande mercado em Floriano só de pequenos vendedores. Isso vai atrair o público para aquele mercado, com uma praça de alimentação, funcionários fardados, com higienização total, banheiro, bastante climatização, com tudo. É isso que precisamos fazer em Floriano, pois ai o Mercado Central será o carro mestre dos pequenos comerciantes da cidade.”

Rota 343 - Você está por dentro da prestação de contas do município? Sabe no que o dinheiro da cidade está sendo investido?

“A prestação de contas do nosso município é falha. Ela vai para a Câmara Municipal, mas nos anos passados, como a gestão pública municipal tinha a maioria de parlamentares, dos 14 vereadores, eles tinham 10. Então, a oposição levantava questionamentos, mas não poderia fazer nada. Hoje a situação já mudou, sendo sete vereadores da situação e sete da oposição, então está em pé de igualdade, e nós vamos questionar a prestação de contas desse ano.”

Rota 343 - O que você considera necessário para que um político faça um bom trabalho em seu cargo de prefeito/vereador?

“O político precisa enxergar as pessoas como um todo, a cidade como um todo. Precisa ver todos os cidadãos de forma igual. Como se faz isso? Sem dar privilégio para ninguém, sem dar contracheque para ninguém, não colocar pessoas na administração pública sem trabalhar. Além disso, tem que pagar bem quem trabalha, principalmente os garis, os professores, profissionais da saúde, tem que incentivar e melhorar os salários.

Também não se deve desperdiçar o dinheiro público com obras, que por exemplo, custam R$ 1 milhão, mas você gasta R$ 2 milhões. Ou seja, há o superfaturamente. Isso está acabando com nosso país, com o Piauí e Floriano. Nós queremos enxugar a máquina da cidade, só vai trabalhar quem trabalha de fato, quem produz, quem atende o povo com carinho, e os funcionários vão ter o salário cada vez maior, e quem não trabalha precisará partir para outra coisa.”

O Rota 343 aproveitou a entrevista para falar sobre um assunto que, de certa forma, está se tornando polêmico: o novo coronavírus. A pandemia, que afeta Floriano e o restante do mundo, tem causado muitas opiniões divergentes, pois com ela, além da doença, outros problemas vieram à tona, como problemas econômicos. Confira as respostas do pré-candidato Bilu:

Rota 343 - Qual sua opinião sobre o fechamento do comércio e sobre o isolamento social?

“Isso requer muita cautela dos gestores federais, estaduais e municipais. Tudo bem, vamos fazer o isolamento social para não ter a propagação do vírus entre as pessoas. O que a gestão pública municipal tinha que ter feito, além do isolamento social? Tinha que ter colocado antes nos bancos, principalmente na Caixa onde as pessoas estão indo em grande número para receber o Auxílio Emergencial, e está acontecendo uma grande aglomeração de pessoas. Quando foi agora, já depois de 40 dias, a prefeitura colocou cadeiras, tendas, para que as pessoas tenham algum tipo de conforto e não se aglomerem. Mas, eu vejo que colocaram muito perto, tinha que ser pelo menos dois metros e meio de uma para outra, mas colocaram um metro e meio. E as pessoas, 200 a 300 pessoas, ficam levantando, e acabam ficando todas juntas.

Na região do entorno do Mercado Central, não deveriam ter proibido os banqueiros de vender. O prefeito tinha que ter fechado as ruas que dão acesso ao Mercado Central, e ter feito uma marcação no calçamento para cada banqueiro ficar há três ou quatro metros de distância um do outro. Ai, estariam todos trabalhando, pois eles não tem renda, não tem emprego fixo, são pessoas que vivem diretamente dessas vendas do dia a dia. Mas, pelo contrário, estão colocando a fiscalização para expulsar essas pessoas que estão ali entorno do mercado vendendo um cheiro vende, um tomate, ovos que trazem da zona rural. Eu acho isso um absurdo. Eu teria bloqueado quatro a seis ruas ali no entorno, teria feito a marcação para instalar os banqueiros, ai dava pra todo mundo trabalhar e não teria aglomeração de pessoas, e a pandemia não iria se propagar em nossa cidade.”

Rota - Que tipo de medidas você tomaria para ajudar no combate a pandemia?

“Com o dinheiro que veio para o nosso estado e município, eu compraria testes para sair fazendo nas pessoas em suas casas, onde as pessoas trabalham nos serviços essenciais, como farmácia, mercados, além dos profissionais de segurança e saúde. Eu iria fazer em Floriano, 10 mil testes, para a gente testar nossa população. São medidas emergenciais, medidas primárias, para a gente saber a evolução dessa doença e como ela está na cidade de Floriano. Eu também daria máscaras para a população, pois tem muita gente que não pode comprar máscara mesmo sendo barato. O poder público está pecando nesta parte.”

Rota 343 - Você sabe o montante a mais que Floriano recebeu para combater o coronavírus? Você percebeu o investimento desse valor?

“Pelo que eu sei, de forma superficial pois a informação ainda não chegou oficialmente na Câmara, Floriano vai recebendo R$ 1,5 milhão. As medidas que eu vi de prevenção não chegam nem a um quarto desse dinheiro, então a gestão vai ter que se explicar. Nós vamos fiscalizar e investigar como está sendo aplicado esse recurso.”

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